"Não sou o movimento negro
Sou o preto em movimento
Todos os lamentos (Me fazem refletir)
Sobre a nossa historia
Marcada com glorias
Sentimento que eu levo no peito
É de vitória" (mv bill)
Há decisões que os Homens devem fazer.
Há Homens
Há decisõesHá o que haverHá o e que fazer
Com certeza existem mais "coisas" e "coisos" merecedores de serem acompanhados do verbo "haver".
Mas nada há de mais sublime do que a liberdade.
Não há liberdade.
Por isso, vivo num mundo quase sublime, mas jamais terei a perfeição da sensação. Sei o que é ser quase quase, mas nada mais do que isso.
Há a minha quase liberdade.
Sou quase livre.
Dentre as opções que minha classe social me permitiu apreender no campo dos conhecimentos escolares cultos, eu pude ser "livre" para escolher entre algumas carreiras: geografia, biologia, pedagogia, letras...sociologia...e...putz, só lembrei destas.
Fiz Geografia. E dentre as possibilidades limitadas que minha área de estudo me ofereceu, consegui ser "livre" para...ser professor de...Geografia!Pois bem. Nesta minha "liberdade", pude ser livre para "escolher" me vender para colégios...horríveis, e outros piores. No meio termo estavam os péssimos. Aqueles que você vê no 2º andar sobre o acougue do bairro, subindo aquela escada íngreme a beça e que te faz desistir de perguntar sobre "planejamento pedagógico".
Ainda sendo “livre”, ou quase isso, fui vendo que o´s colégios privados se repetem.
Na verdade são tais quais aqueles agentes clones dos filmes Matrix, lembram? Você começa acreditando que são diferentes mas...quando os olha outra vez, se tornam a mesma figura.E, acreditem, sua péssima qualidade faz o mesmo mal quanto as pistolas dos agentes da Matrix.Me sinto um NeYo!Não o rapper beiçudinho, mas o do filme.Tive que conhecer o outro lado da moeda para descobrir que ao invés de moedas de dois lados, o mundo se constitui em um pequeno globo de borracha que é equilibrado no focinho de um porquinho adestrado se equilibrando com patins sobre uma bola de boliche.
Estamos na mesma.
Me senti “livre” quando “optei” por me tornar professor concursado do Estado, ganhando 540 reais. Que liberdade!!!
Depois, quando o Estado me ligou me dando a “liberdade” de lecionar Física, Matemática, Espanhol, Inglês, Química, Artes, Religião, outras disciplinas e até...Geografia para um projeto da Fundação Roberto Marinho, me senti “o escolhido” da Matrix. Eu era “livre”.
Eu era “livre” para fingir que o sistema funcionava.
Eu era um Pinocchio. O sistema me contaminou, me drogou, entorpeceu e me levou a crises existenciais, que me fizeram abrir processos contra diretoras, coordenadoras, reclamar com a Fundação, com o coordenador da Mteropolitana, a...chamar a Polícia na minha escola. Por ter sido ameaçado e ofendido por um aluno maior de idade.
Tudo isso para...me sentir “livre”.E livremente fui chamado de louco por diretora, por superiores, por querer o certo...me disseram “é só fingir que dá aula e a gente te paga, porra! Pra que inventar caso! Eles querem diploma, dá isso a eles!”
Ah, eu era livre, sim!Ao menos fiz a monografia que eu QUIS, estudei o tema que quis, abri mão de orientador, fiz 154 páginas de algo que me limpou o sangue negro, a alma, enegreceu minha convicção de ser um preto em movimento...glorificou minha história.
Minha pós seguiu o mesmo caminho, e nisso, fui trabalhar no IPEAFRO.
Lá, conheci Abdias, Elisa, Clícea, Carlos Henrique.
Ali fui feliz...
Ali me apareceu a oportunidade de...me tornar oficial da Marinha.Mas...eu?Marxista, cabeludão, do contra, é...isso mesmo.Sobre a Marinha muito tenho a escrever, ainda. Não escreverei por ainda ser militar da FAB.
Pedi para sair, em Outubro de 2011, pois havia passado pra Oficial da Força Aérea Brasileira.
E achando ainda que sou “livre”, ao mesmo tempo estive tentando o concurso para Professor I 40H de Geografia, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
Passei! Em primeiro na minha coordenadoria, em 3º no geral, para mais de 3200 professores de Geografia que se candidataram.
Opto, pois, neste momento, após muito avaliar prós e contras, por dar por finalizada minha experiência como militar brasileiro. Ao menos, sou “livre” para tal.
Aprendi (junto aqueles que um dia espero que, inicialmente, reagirão de modo violento à implantação de uma nova ordem psicosocio-política que pretendo plantar nas escolas públicas) a desenvolver habilidades que me levarão ao exercício de liderança mais qualificada para uma revolução na qual, sinceramente, eu tenho que acreditar.
Me pensei “livre” para fazer tantas opções, tantas mudanças, tantas ousadias e realmente ter feito História por onde caminhei por ser, “livre”. Eu não o era, mas eu criei uma liberdade que nenhum Estado ou agente armado pode me tomar: A LIBERDADE DE PENSAR!
Adepto do livre pensar, ao invés de me ver PRESO ao destino manifesto de ser o pobre coitado e infeliz professor de Geografia preto e pobre carioca, me construí forte e relevante, ainda professor de Geografia, preto, carioca, de renda média.
Eu criei minha liberdade...a partir de uma escolha tão...”boba”, que fiz em 2001: fazer Geografia.
Sinceramente, não imaginava ter vivido um milésimo de tudo o que vivi, até hoje. Passar por duas Forças Armadas, ter dado aulas em mais de 10 municípios do Rio de Janeiro, mais de 30 escolas (creio que 41), e ter visto o que vi, aprendido o que aprendi, e ensinado o que ensinei, com atos, palavras e sentimento (e crítica), me tornaram livre.
Me ensinaram a ser Homem, e sou um Homem;
Sei que existem decisões, e as tomo;
Sei que existem coisas, e as interpreto e classifico; assim, as utilizo ou não;
Sei que o verbo “haver” tem muito mais coisas a colocar em minha vida do que jamais imaginei.
Volto, e agora, mais forte, convicto de minas crenças, enriquecido de esperança num mundo desesperançoso, venho para cumprir minha real missão: educar crianças, e ser educado por elas.
Sou um homem hoje muito triste pela decisão que tomei, muito mesmo, escrevo isso com vontade de chorar. Porém muito forte pelo que o futuro me reserva.
Afinal, é mole ser bom professor em um ambiente perfeito, com alunos selecionados, tudo no lugar e hierarquia manifesta.Eis que eu SEREI bom e socialmente relevante no oposto. É o meu desafio.
Obrigado UERJ, FFP, IGEO, Andrelino, Catia Antonia, Renato Emerson, Tâmara Tânia, Abdias, Elisa Larkin, IPEAFRO, Cláudio Barbosa (R.I.P.), Emanuel Carneiro (R.I.P), Regina, Roberta, Risla, Tenentes: Adolpho, Pedro Paulo, Claudia, Eveline, Aline, Barretinho, CC ANTUNES (comandantê), amigos da FFP, Bruno, Barata (traíra) e todos aqueles que aqui estiveram.
Vamos fazer o melhor hoje. Porque semana que vem...pode nem chegar!
O Preto em Movimento – MV BILL
Não sou o movimento negro
Sou o preto em movimentoTodos os lamentos (Me fazem refletir)Sobre a nossa historiaMarcada com gloriasSentimento que eu levo no peitoÉ de vitóriaSeduzido pela paixão combativaBusquei alternativa (E não posso mais fugir)Da militância sou refémQuem conhece vemSabe que não tem vitória sem suorSe liga só, tem que ser duas vezes melhorOu vai ficar acuado sem vozSabe que o martelo tem mais peso pra nósQue a gente todo dia anda na mira do algozPor amor a melaninaColoco em minha rimaVersos que deram a volta por cimaO passado ensina e contaminaAqueles que sonham com uma vida em liberdadeDe verdadeCapacidade pra bater de frenteE modificar o que foi pré-destinado pra genteDignificar o que foi conquistadoMudar de estado, sair de baixoSem esculacho é o que eu achoNão me encaixo nos padrõesQue vizam meus irmãos como vilõesNa condição de culpadosOvelha branca da naçãoQue renegou a pretidão (Na verdade é que você...)Tem o poder de mudar ' RAPÁ'Então passe para o lado de cá, vem cáOutra corrente que nos uneA covardia que nos puneA derrota se esconde no irmãoQue não se assumeChora quando é pra sorrirRi na hora de chorarLevanta quando é pra dormirDorme na hora de acordarDespertaSentindo a atmosfera, que libera dos porõesE te liberta (Sarará criolo...)Muita força pra encarar qualquer bagulhoResistência sempre foi a nossa marca, meu orgulhoÉ bom ouvir o barulhoQue ensina como caminhar (Eu estou sempre na minha...)Não vou pela cabeça de ninguémPode vir que temAgbara, Ôminara, Português, Faveles ou em Ioruba, AxéPra quem vai buscar um acueE deixa de ser um qualquerJá viu como éPreto por convicção acha bom submissãoNão, da re no Monza e embranquece na missãoTem que ser sangue bom com atitudeSaber que a caminhada é diferente pra quem vem da negritudeQue um dia isso mudePor enquanto vou rezar pro santoE que nós nos ajude