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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Justiça proíbe cultos evangélicos nos trens do Rio

Até que enfim! Uma juíza da 8ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio determinou que a SuperVia, concessionária espanhola que opera os trens urbanos do Rio, coloque avisos dentro dos vagões e nas estações avisando da proibição de ocorrerem cultos religiosos nos vagões. Segundo a juíza atesta em seu parecer, os cultos evangélicos que acontecem os vagões incomodam os demaispassageiros, “além de obrigá-los, indiscriminadamente, a se submeter a doutrinas religiosas”, acrescenta a ação. Dentre tantas notícias boçais, esta é das melhores que já li ultimamente.

Certamente os pregadores evangélicos utilizarão alguma passagem bíblica para demonstrar que, tal qual apóstolo X ou Y, estão sendo perseguidos por sua fé, e que devemresistir, pois o Senhor é mais e tal etc e tal. Porém, caso eles tenham o mínimo de senso realista e julgamento racional, verão que as coisas mudaram muito. Antigamente, em um trem Central-Japeri, havia um vagão evangélico. QUem quisesse ia nele. Eu fugia, obviamente, escolhendo outro. Agora são TODOS os vagões de todos os trens Japeri, Nova Iguaçu, Santa Cruz... ou seja, não há direito de escolha. É ouvir ou pular nos trilhos, se suicidando!

Sempre viajo de ônibus, trem e metrô lendo livros de Sociologia, História e Geografia. Imaginem o drama: enquanto leio os acontecimentos internacionais que auxiliam a entender a independênciado Brasil, tem um pandeiro mal tocado, e 30 pessoas gritando e cantando ao meu lado. Já pensei em fazer a revolução científica no trem, convocando 30-40 professores de Geografia ou outras áreas para pregar nossos conhecimentos no vagão, desafiando aos evangélicos. Seria no mínimo engraçado.

O assunto é sério, já que pregações em alto som em ambiente coletivo fechado como o trem criam constrangimentos, pois impede o silêncio, o descanso, a escolha do que ouvir e pior, a liberdade religiosa, visto que outras matrizes religiosas e de conhecimento ficam alijadas do direito à expressão no mesmo local. Imaginem um islâmco lendo ao Alcorão enquanto 30 pessoas o chamam de infiel, ou um satanista todo vestido de preto lendo suas práticas de bruxaria, o que daria, oumesmo uma mãe de santo andando no vagão, silenciosamente, sentada, tirando um cochilo. Atirariam pedras nela? Ao menos comigo, que durante um destes cultos utilizava um MP3, fui chamado de infiel e herege. Que tal decisão seja mantida e entre para a cultura de sociabilidade urbana do homem cotidiano carioca, e não se perca dentre tantas outras.

Antigamente fazia sucesso um funk que dizia: "Oh demorou para abalar...mas abalou, oi demorou, demorou para abalar, o William e Duda abalou, ô ô!" Esta lei demorou, mas espero que ela abale fortemente uma das aberrações de nossa urbanidade cotidiana.

Infelizmente ainda faltará prender as mulheres de 30 anos e plena saúde que carregam crianças de 2 anos no colo pedindo esmolas pelos vagões,ao invés de trabalhar (com esta idade, há o que se fazer!). Faltará também tomarem atitude contra a aberracional criação da venda de doces da multinacional Nestlé por camelôs legalizados, mas cujos sapatos sempre estão furados, demonstrando que a empresa suíça pouco se importa com as condições de trabalho dos brasileiros.

No metrô não há camelôs, pois os guardas não aceitam corrupção dos camelôs, e todas as estações estão 100% cobertas por câmeras, o que impede tais desvios de conduta; os cultos e gritos não acontecem, os atrasos não ocorrem. No trem, os guardas protegem mais aos ambulantes do que nós, os cultos aporrinham, não há circuito interno nas estações que registre o que acontece, e a sensação de insegurança é cotidiana. Pedras.

Outro tema que me incomoda é a proibição de que homens viagem no famigerado vagão feminino. Esta lei, de poucos anos atrás, estabelece a suspeita de que todo homem em metrô e trem é um potencial tarado roçador de bundas alheias. O tosco é que a população vê este absurdo e não faz nada. No metrô, caso entremos neste vagão, somos retirados por seguranças. No trem, a lei caducou e virou letra morta. De novo um exemplo de sociabilidade diferencial para a mesma população, em momentos diferentes. A mesma mulher do vagão do metrô é a do vagão do trem e do baile da Via Show, onde praticamente levará como prêmo o fato de que sarrem sua bunda.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Planejamento Urbano: Se você soubesse o que é, não conheceria engarra

Já imaginou quanto tempo de sua vida você gasta em engarrafamentos? Calcularam isso. Você passa 1 ano, 5 meses e 26 dias. Não sei se esta conta está correta, mas não duvido que seja no mínimo isso. Afinal, vcê já sofreu com chateações de trânsito

Acidentes de trânsito, pessoas sem noção ao volante, excesso e escassez viajam lado a lado no caótico trânsito carioca, que não é mais louco do que o de outras grandes cidades do mundo.

Não culpo o Estado pelo excesso de carros que chegou às ruas, ou pelo crescimento desordenado da metrópole e seu entorno imediato (Baixada Fluminense), porém não perdôo meus governantes eleitos pelo atual estado das coisas, que de planejadas, só enxergo o lucro ao final do balanço contábil.

(Foto da Avenida Brasil de manhã, sentido Centro do Rio engarrafado, como de costume)

Caso houvesse planejamento urbano....

O sistema de trens urbanos foi privatizado nos anos 90 do século XX, não mais é suficiente. À época da privatização, o estado de conservação das pouquíssimas composições que circulavam na Região Metropolitana do Rio de Janeiro era precário, com grandes intervalos entre as composções e poucos usuários de trens. O tráfego rodoviário abarcou toda a demanda urbana, com todos os impactos ambientais decorrentes desta modalidade de transporte que utiliza combustíveis fósseis, pneus e asfalto, esfumaça e destrói a saúde da paisagem cotidiana.

Hoje, privatizada e controlada pela espanhola Supervia, os trens do Rio de Janeiro melhoraram em conservação, limpeza, intervalo de composições e garantia do serviço. Não há mais descarrilamentos constantes ou afins. A contrapartida do Estado foi estranha. Os lucros são todos da empresa privada, que arca também com a manutenção do sistema. Porém todos os investimentos em novos trens ou expansão do sistema são de responsabilidade do Estado.

Ou seja, os trens da Supervia, ditos os mais modernos do Brasil, não foram comprados pela empresa. Sim pelo seu imposto.

Os ônibus estão distribuídos por uma máfia maldita que não constrói a inteligência e fortalece a burrice de investir em ônibus mal conservados, que consomem muito, desconfortáveis e que desestimulam o uso do mesmo. Quem pode, vai de carro. E no Brasil o carro é muito barato, posto que com 3 mil reais você tem um carro para trafegar diariamente. Resultado: ruas lotadas, engarrafamento e tempo vital perdido.

A economia perde, o trabalhador perde, pois o chefe raramente acredita quando o indivíduo se atrasa dois dias seguidos, e a sociabilidade vai sendo perdida. Cada vez menos somos humanos, cordiais e sisudos. Entre em um ônibus lotado vindo da Barra para Madureira e ao soltar você será Lúcifer! Vá, como vou, de Marechal Hermes a Nova Iguaçu, e espere o ônibus por uma hora. Mais de 10 ônibus passando direto fazendo sinal de estarem lotados. Depois esbofeteie para entrar numa lata lotada. Discuta com uma mulher afirmando que você apalpou a bunda gorda dela, e uma hora e cinco minutos depois, solte feliz para dar aula.

Impossível! Mereço parabéns! Minha diretora disse que não mereço,pois me atrasei. Verdade, mereço um castigo, pois querer diálogo inteligente sendo servidor público estadual é acreditar que o mar vai virar sertão!
 
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