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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

[URBE] A população se revolta contra o trem: Uh uh Nova Iguaçu!

Um dia o jovem senhor viu na televisão reportagem apresentando as condições de vida em Bangladesh. O país asiático é um dos mais pobres do mundo. As crianças deste país, quando entre 7 e 12 anos, trabalham semi-escravizadas em tecelagens artesanais do país, manuseando teares manuais. Trabalham de graça, por acreditarem que o trabalho é a coisa mais certa que podem fazer durante suas infâncias, para que suas vidas de adultos sejam ricas, e possam dar condições dignas para suas famílias. Estas crianças trabalham mais de 12 horas por dia, gratuitamente, e são analfabetas! Isso mesmo, pois nunca estiveram em uma escola. São contratadas pelo tamanho das mãos e...falando sério, são contratadas por serem baratas, eficientes e principalmente, por não reclamarem! Trabalham exploradas, escravizadas desde a menor infância, e não reclamam!

O jovem senhor se espanta com a passividade da sociedade bangladeshiana com aquilo que considera um "absurdo", "ultrajante" e algo que ameaça a "Dignidade da pessoa humana". O senhor levanta de sua poltrona, desliga a TV cedo, pois no dia seguinte vai trabalhar e acordar cedo. Vai de trem e metrô. Reside numa metrópole moderna, cosmopolita com ares provincianos que os estrangeiros acham delicioso; metrópole entre a montanha e o mar, com lindas praias e garotas de biquini. Reside no subúrbio, em bairro cortado por um muro de Berlim chamado TREM. A farmácia mais próxima fica a menos de 50m de sua casa, porém tem que andar 600m ao longo do muro de berlim-trem para subir uma passarela de concreto cujos vergalhões estão expostos por falta de conservação, descer a passarela, e fazer os mesmos 600m voltando, para encontrar a farmácia. Não há passarela perto de sua casa. Há tempos os moradores pedem por uma, sem resposta. Chegaram a fazer um buraco nos muros, para atravessarem rumo outro lado, porém...a companhia de trem o fechou.

Seu trem, pela manhã, não passa cheio. Passa entulhado. No entulho que carrega, estudantes, mulheres cheirosas e novas,mulheres cheirosas e velhas, mulheres comperfumes horríveis, senhores com bafo de cachaça da semana passada, senhores! Pessoas que vão trabalhar e estudar, na cidade entre a montanha e o mar. Pessoas que não moram perto do mar, mas muitas vezes residem em montanhas baixas, chamadas "morros". O trem não obedece lógica, não tem hora de chegar ou de partir, e nunca se sabe se opróximo será o trem mais moderno do mundo, ou um trem saído da primeira revolução industrial inglesa. O trem segue, o avião do trabalhador cria asas, e de tão cheio, se frear, milhares morrem esmagados. Deus protege. Óbvio que quem mora perto do mar na avenida Beira-mar estámais protegido. Ao menos, mais protegido de morrer esmagado no trem.

A cidade é linda, a paisagem é diversificada, e a Vista Chinesa, no alto da Floresta da Tijuca, permitindo avistar construções divinas naturais como o mar, a montanha, as matas, os barracos, a miséria e as balas traçantes durante a noite! De dentro de seu trem, o Cristo Redentor usa coletes, a prova de balas, e muitas vezes aproveita que já está de braços abertos para vender um cortador de unha no trem. É barato, é contrabando, é subemprego, é sabido, e é ignorado por todos. A maior multinacional de alimentos do mundo subcontrata os camelôs proibidos e lhes paga menos ainda. Trabalham vendendo, com sapatos furados, e sem dentes na boca. Caso não venda, pede, e pega uma criança de rua para servir de álibi, sensibilizando a todos no vagão. Tecnologia de marketing direto nascida nas ruas cariocas, aceitando moedinhas de um centavo ou um pedaço de pão. Mas preferindo uma nota de dois reais. Os seguranças da empresa de trem parecem envergonhados com a situação que passam estes camelôs, que são proibidos por lei de estarem ali, e para impedi-los é que se contratam os seguranças, mas a vergonha os força a virar de costas e fingirem que não viram. Pobres coitados dos seguranças.

O sistema de segurança do transporte do senhor é eficientíssimo. Saído diretamente dos programas do Discovery Channel, quando exibem cardumes inteiros fugindo de tubarões famintos. No trem é assim também, pois o povo se expreme, um por dentro do outro, assim nenhum larápio roupa o próximo. Caso algum delinquente resolva por opção deixar parte do corpo para fora do trem lotado por terem fechado as portas sem dar tempo de todos entrarem, os senhores da segurança (de quem) chicoteiam o senhor até que este sinta dor e se meta trem adentro. Recebe chutes, não respira, chega suado. Paga dois reais e cincoenta.

Paga mais dois reais e sessenta de metrô. Ou três e oitenta de "integração". Engraçado, mas sempre imaginou o senhor que integrar fosse tornar dois em um. Sem diferenciação. Sai do trem anárquico e entra no metrô facista. Não sabe qual é o pior. Se a anarquia do trem repleto de pedintes e vendedores, ou o facismo dos imbecis que entram e estacionam nas portas. Mas vai feliz. Caso queira urinar neste ínterim, o fará nas passarelas, pois não há banheiro. Seu sistema de trens e metrô foi privatizado em um contrato que estabelece regra peculiar e engraçada para ele, que não entende a quem a mesma beneficia. A lei diz:

O lucro será do doutor, e o din din pra comprar trem novo será de todo usuário, inclusive do senhor, pago pelo Estado.

O senhor chega ao trabalho, senta-se, cansado, após duas horas dentro de dois infernos metálicos, usurpado e mal tratado, destruído como cidadão e como carioca, e comenta com o amigo: COITADO DO POVO DE BANGLADESH! GRAÇAS A DEUS, NO BRASIL,SOMOS MUITO BEM TRATADOS!

Anos depois, se torna apresentador da Rede Record, ou secretário de transportes ou governador, e chama a quem se revolta com o trem de VAGABUNDOS.

Breno Mendes, um vagabundo

FIKA A DIKA: O choque do oportunismo e da realidade (Texto do Observatório da Imprensa sobre a reportagem de TV que explorou a miséria das crianças bengalesas por IBOPE): http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=545CID002

FIKA A DICA: A foto das "chupetas do trem", a segunda desta postagem, veio de um grande fotógrafo: http://www.flickr.com/photos/claudiolara/sets/1602444/

domingo, 20 de setembro de 2009

Bienal do Livro - Quem me dera se todos lessem...


Estive no último sábado no Riocentro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - Brasil, para conferir os lançamentos editoriais e o burburinho da Bienal do Livro. O evento é classificado por uns como um grande evento capitalista onde grupos burgueses que detém o monopólio da informação impressa no país exibem seus produtos, para que pobres coitados comprem. Outros a definem como um grande evento de trocas culturais, onde editoras espíritas, cristãs, de direita, esquerda ou encima do muro, ou infantis se desafiam em chamar a atenção do público que chega ávido a comprar novos livros para dar de presente a si mesmo ou ao próximo.


Mas que sociedade é essa que visita livrarias, lê os livros por meia hora antes de comprá-los, e ainda faz beicinho aos vendedores, chorando desconto por uma nova edição da análise da Revolução Russa? Com certeza não é o público médio (medíocre) ensinado a odiar os livros e fazer de todo exemplar com mais de meio quilo de papel um ótimo peso para evitar que portas se batam com o vento. Onde essa população estudou? Escola pública ou privada? Que escolas? Qual a estrutura destas escolas, e matriz pedagógica? Qual sua faixa de renda? Onde residem? Será que há um padrão espacial em moradia ou são as migalhas da sociabilidade que restaram, uns em cada bairro, que ao se concentrarem, se tornam milhão? Estas questões são importantes, visto que assim eu poderia, e vocês também, analisar o que torna uma pessoa em leitora assídua.
Os stands de editoras com público infantil até 3-4 anos eram um espetáculo a parte, pois os livros eram tão legais que eu mesmo fiquei um tempo lendo alguns...somente não sentei nos bancos por estes serem mini bancos para os infantos; mas os pais sentavam, e ficavam ridicula e graciosamente aconchegados com seus pequenos.

No final das contas, gastei uns 150 reais, e estarei postando aqui impressões dos livros que eu estiver lendo. No momento estou lendo "De costas para o mundo", de , que é um relato jornalístico das viagens que a jornalista e escritora fez à Sérvia, entre 1999 e 2004, durante longo período de rápidas transformações e desintegração da antiga Iugoslávia.

Ai como seria bom se todos tivessem acesso à leitura e a valorizassem.
























Como pode ver acima, Ziraldo, o pai do Menino Maluquinho, estava presente. A foto da direita eu que dirigi, e minha mãe que clicou. Mandou bem pacas, mãe!














Muitos alunos meus afirmam não saber o que é cordel. Acima está Abdias Campos ( http://www.abdiascampos.com.br/ ), um grande cordelista nordestino, que estava expondo e vendendo seus cordéia na Bienal. Vale entrar em seu site e procurar vídeos e imagens no google. Comprei 3 cordéis dele, todos autografados.















Confesso que a tal Floresta de Livros me decepcionou muito, mas muuuito! Um bando de árvores de madeira com caixa de som no chão e vozes lendo livros não foi o que eu imaginava de uma proposta imaginada por profissionais. Só valeu pelas fotos, que ficaram legais, principalmente a de minha mãe, acima, e uma de um cilindro acrílico luminoso com muitas letras nele, como se estivessem em movimento. Está mais acima, neste post.






























O que não decepciona nunca é a estrutura física do RioCentro, grande obra pública, muito bem conservado e cuidado, que deveria estar dando muitos lucros para a Prefeitura, porém foi privatizado pelo Cesar Maia. Falando em vendas, R$ 3,50 por uma Coca-cola é muita sacanagem! Dois reais e cincoenta por 300 ml de água é amoral! Pior que isso só os 6 reais pelo pedaço de pizza na MisterPizza. Realmente era mais barato comprar o mini-livro de horóscopo que era uma graça. Comprei o meu signo (VIRGEM) e AQUÁRIO. Alguma aquariana aí?
























Encontrei, como sempre, muitos conhecidos, como visto acima. O primeiro de Azul é Rafael, geógrafo como eu; depois com o bebê tem Fabiana professora do estado como eu; embaixo o Ancelmo Goes, ilustre jornalista e colunista do O GLOBO; e por fim a linda e iluminada Nubiara, amiga de longos tempos.
Minha surpresa positiva foi este crachá ao lado. Todo professor recebia, se quisesse, ao se identificar com contracheque, e além de não pagar a entrada de 12 reais, também conseguia descontes de até 30% em diversas editoras. Belo exemplo de como deve ser tratdoa um profissional de educação.
Enfim, em 2011 irei a São Paulo para a Bienal lá. Espero encontrar mais amigos!

domingo, 30 de agosto de 2009

Amizades perfeitas, cervejas e crise educacional. A moda é ficar estressado!

Após beber e beber e beber, a gente fica meio sem noção de tempo e espaço, e começei a escrever este texto ontem, sábado, a 15:45. A solução é twittar, blogar e atualizar fotolog. Sexta foi um dia longo. Ao menos terminou de forma ótima, como mostram as fotos deste post, de minha noite na Lapa e no Circo Voador. De cima para baixo, as seguintes fotos: Fabão, Stallone, Salgueiro e eu, no Tangará, Centro do Rio; Clarissa, Gabi e Aline, no Circo Voador; e Raquel, também no Circo Voador, show do Fino Coletivo + Eddie.

Dei aula sexta-feira a tarde, coloquei uma aluna para fora de sala, me estressei pacas. Depois, uma reunião meio...nonsense com minha diretora. Entendo ela, mas não concordo. Não concordo com a apatia educacional, com o sono negro e mórbido que reluz na escuridão das escolas.

Explico: Meus alunos tem entre 12 e 15 anos, e estão na sexta série do ensno fundamental, antigo primeiro grau. Dou minha aula sabendo que o meu conteúdo é fundamental para suas vidas. Para quem não sabe,na sexta série, ensinamos os temas de Brasil, referentes aos estudos de população, formação histórica, território, diferenças entre campo e cidade e adentramos nas especificidades de cada região (Norte, Nordeste, Sudestes, Sul e Centro-Oeste). Imagine se você não soubesse que o estado da Bahia se localiza no Nordeste, ou se não soubesse que São Paulo fica ao lado do Rio de Janeiro, e que a Floresta Amazônica não cresce perto de Santa Catarina. Inviável ser cidadão nestas condições.

Porém, sempre há um porém. Os alunos não desejam o conhecimento. E eles escolheram a vantagem, o privilégio, seguindo a Lei de Gerson, onde este queria sempre levar vantagem em tudo. Se eu pedir para um aluno fazer um trabalho, ler um texto ou parar de falar, ele não o fará. Mas se eu pedir para plantarem bananeira e prometer um ponto na média, eles o farão. Quiçá, se o Bin Laden fosse professor da rede pública do Rio de Janeiro e prometesse pontos na média caso os alunos se aventurassem em atentados terroristas contra edifícios públicos, os mesmos aceitariam na hora, sem figurar em sua mente que suicida significa que ele morrerá e não precisará de ponto nenhum. Afinal, eles não sabem interpretar textos de forma minimamente aceitável mesmo.

O porém é: Todos querem tirar o corpo fora. O aluno nem sabe o que é ECA. Talvez muitos achem que isso é apenas uma palavra de nojo para coisas como um monte de bosta fedida na calçada: Ecaaaaa! Mas ECA é a abreviação usual para Estatuto da Criança e do Adolescente. Aquele conjunto de leis que estabeleceu o famoso: "Perae, puliça! Eu sou di menor!".

O ECA estabelece que os jovens tem direitos. Mas também deveres, e disso não se lembra. Quem me defende de aluna de 12 anos e mais de 75kg que tenta me agredir e humilhar em sala de aula? Quem me defende de aluno que me mande à merda? Para a puta que o pariu. Ninguém. Vivemos um estado psicológico e policial. Ao mesmo tempo que fiscalizamo-nos uns aos outros, defendemos todas as atitudes alheias com argumentos de estar estressado, ou sob trauma.

Em 2008, um aluno que dava show em sala de aula de egoísmo ao procurar aparecer a todo o momento com bolinhas de papel ou gritando, cantando, batendo na mesa, perguntei se ele se achava uma estrela para querer aparecer deste modo. O infeliz se levantou e argumentou que se posso questionar se ele é estrela, pode me perguntar se eu quero uma banana, já que sou preto, e pareço um macaco. Diante da postura da dirreção (que não fez nada), afirmei que o processaria por racismo, mas resolvemos tudo após uma reunião com a mãe do menino que afirmou o que? Que ele está com dificuldades de se adaptar à separação dos pais. É trauma! De novo?

Pois bem, todo aluno meu que expulso de sala ou chamo o responsável está sob trauma. A mãe separou,amãe é piranha, o pai é traficante, o pai sumiu, morreu, nem a mãe sabe quem é o pai, a avó morreu, o cacchorro morreu, ou a aluna foi mãe aos 13 anos e não consegue conviver com isso. Não há reclamação que eu faça à minha coordenadora e diretora que não venha com um "mas professor, você tem que ter paciência, entender que..." . Entender o que? Que eu entendo eles e eles não me entendem? Não é argumento vazio pensar que aos 12 anos, se meu pai fosse chamado à escola, o simples medo de apanhar me fazia virar um santo por ao menos 3 meses. Detalhe, eu nunca apanhei, mas os olhares de meu pai e as palavras de minha mãe faziam um efeito danado.

As mães que chamo se dividem em categorias cristalizadas:

- A ex piranha: Mães todas tatuadas, com trajes evangélicos esaia até o calcanhar, que me encontram comBíblia na mão, a mesma mão tatuada com caneta Bic de presídio. Afirmam que tudo melhorará, pois vão enfiar a porrada em seus filhos;
- A ainda piranha: É aquela mãe que chega me dando mole, comum lindo par de seios a mostra, um belo quadril, e discurso conciliador;
- A turista: Parece que nunca viu o próprio filho, pois tudo o que falo do mesmo a mãe rechaça, a ponto de eu me perguntar: Como pode ser tão cega? Normalmente, vem com o argumento de que o professor não passa matéria e tem pinimba pessoal contra o aluno. Mas nunca sabe nem quantas matérias o filho tem;
- A que sabe: Esta é raríssima, e sabe exatamente a peça que é seu filho. Afirma que vai endurecer, cortar privilégios e lutar para não ser chamada outra vez. É respeitosa, educada, vai de roupas contidas, e fica feliz em conversar com o professor.

Mas, mesmo assim, para a direção e coordenação, eu sOu o cuLpADo. A solução? Vou casar com uma mulher que me arrume trigêmeos e um par de chifres. Assim, eu também terei muitos traumas e razões para ser um mau professor e pouco melixar com os alunos. Afinal, percebo que se preocupar com eles e sempre chamar os pais para colaborar com a educação dos filhos é visto, de maneira global, por sociedade e direção, como uma falha conceitual minha. Tenho que ser um tÓteM mágico de transformação de bárbaros em seres civilizados. Que voltem os jesuítas!

Poesia para agitar o espírito:

NÃO TOCAR NA TERRA
Não tocar na terra, não ver o sol
Nada mais a fazer a não ser fugir, fugir, fugir
Vamos fugir, vamos fugir
Casa no topo do monte, a lua jaz quieta
Sombras nas árvores testemunhando a brisa selvagens
Anda, querida, foge comigo
Vamos fugir
Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir
A mansão é amena no topo do monte
Ricos são os quartos e os confortos lá
Vermelhos são os braços de luxuosas cadeiras
E não vais saber nada até entrares lá dentro
Corpo morto do Presidente no carro do condutor
O motor funciona a cola e alcatrão
Anda connosco, não vamos muito longe
Para Este conhecer o Czar
Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir
Alguns foras-de-lei vivem junto ao lago
A filha do ministro está apaixonada pela serpente
Que vive num poço junto à estrada
Acorda, rapariga, Estamos quase em casa
Sol, sol, sol
Queima, queima, queima
Lua, lua, lua
Apanhar-te-ei em breve... em breve... em breve!
Eu sou o Rei Lagarto
Posso fazer qualquer coisa

JIM MORRISON

Dê Jim Morrison às crianças!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Minha nada mole vida Parte 1 - Festinha em Santa Teresa no sábado

Desde sábado estou passando por uma nuvem de eventos que me persegue e consome a saúde: começo a ficar gripado. Festas, farras, churrasco, dinheiro gasto, bebês e mulheres, provas, viagens, colégios que aporrinham, entrevistas e toda a sorte de ocasiões tem construído uma semana estranhamente interessante. Começo o post com as notícias do final de semana.

Sábado a tarde fui ao Shopping comprar coisas importantíssimas como uma mochila caríssima, duas bermudas que não precisava e uma camisa nova do Flamengo. Tipo, 150 reais numa camisa de time feita de poliester é um preço inexplicável para os que não amam, mas simples de entender para quem sente ótimas sensações com seu time, no caso, Flamengo.

À noite do mesmo sábado fui convocado por minha amiga Anna Karol Ferro para ir a uma festa com ela em Santa Teresa, a noite. Cinco minutos depois, me liga Nuria Pucci, cantira argentina e mulher que faz minha pupila dilatar para ver melhor, e me chama pra sair. Decido chamá-la para a festa para a qual Karol me chamou. Ligando para as duas, acertei tudo. Meia noite e meia na Pizzaria Guanabara da Lapa.

A festa seria aniversário de um amigo de Karol, que, segundo ela, era argentino. Como Nuria é argentina, pensei q combinaria bem a conversa. Ele, músico, ela, cantora de blues, tango, gospel e jazz. Detalhe é que Nuria sempre anda com seu pequeno Jeshua, menino de colo de 10 meses, uma fofura que dá vontade de beijar a todo momento.

Cheguei à pizzaria e já estavam as duas conversando, e Jeshua dormindo. Após diversos chopps, percebemos um detalhe explícito: a pizzaria Guanabara possui o o pior atendimento da noite carioca. Se você pede para o garçom 1 te trazer um chopp, ele pede ao 2, que pede ao garçom 3 e...seu choppnão vem,pois simplesmente esqueceram de seu pedido. Isso foi repetido diversas vezes,e eu vi. NÃO SENTEM NA PIZZARIA GUANABARA! Lugar para fazer cena,mas ñser atendido.

Pegamos o táxi e fomos a Santa Teresa,onde seria a festa. Antes disso, entramos em dois taxis que se recusaram a ir até Santa Teresa, nos despejando 5 metros depois. Por que será? Alguma coisa que esqueceram de me contar, com certeza. Mas enfim, chegamos à festa.

A festa era uma deliciosa mistura de pessoas bem vestidas, felizes e divertidas. DJ com MPC na sala da casa, gente dando uma de barman na área externa, fotógrafo profissional (o dono da casa), a América Latina estava reunida, pois o aniversariante é peruano (ñ argentino), Nuria é argentina e outro rapaz na festa é colombiano. Enfim, sou brasileiro e não desisto, rs.

Estes Malabares luminosos foram demais! as fotos deles ficaram lindas, assim como as fotos de Jeshua e Nuria com os malabares.

Enfim, uma noite deliciosa que acabou pelas 6 e poucas da manhã,já no centro do rio de janeiro. Acabamos pegando um taxi e...cinquenta reais depois, estávamos Breno, Nuria + Jeshua e Karol em minha casa, após comprarmos pão na esquina.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Planejamento Urbano: Se você soubesse o que é, não conheceria engarra

Já imaginou quanto tempo de sua vida você gasta em engarrafamentos? Calcularam isso. Você passa 1 ano, 5 meses e 26 dias. Não sei se esta conta está correta, mas não duvido que seja no mínimo isso. Afinal, vcê já sofreu com chateações de trânsito

Acidentes de trânsito, pessoas sem noção ao volante, excesso e escassez viajam lado a lado no caótico trânsito carioca, que não é mais louco do que o de outras grandes cidades do mundo.

Não culpo o Estado pelo excesso de carros que chegou às ruas, ou pelo crescimento desordenado da metrópole e seu entorno imediato (Baixada Fluminense), porém não perdôo meus governantes eleitos pelo atual estado das coisas, que de planejadas, só enxergo o lucro ao final do balanço contábil.

(Foto da Avenida Brasil de manhã, sentido Centro do Rio engarrafado, como de costume)

Caso houvesse planejamento urbano....

O sistema de trens urbanos foi privatizado nos anos 90 do século XX, não mais é suficiente. À época da privatização, o estado de conservação das pouquíssimas composições que circulavam na Região Metropolitana do Rio de Janeiro era precário, com grandes intervalos entre as composções e poucos usuários de trens. O tráfego rodoviário abarcou toda a demanda urbana, com todos os impactos ambientais decorrentes desta modalidade de transporte que utiliza combustíveis fósseis, pneus e asfalto, esfumaça e destrói a saúde da paisagem cotidiana.

Hoje, privatizada e controlada pela espanhola Supervia, os trens do Rio de Janeiro melhoraram em conservação, limpeza, intervalo de composições e garantia do serviço. Não há mais descarrilamentos constantes ou afins. A contrapartida do Estado foi estranha. Os lucros são todos da empresa privada, que arca também com a manutenção do sistema. Porém todos os investimentos em novos trens ou expansão do sistema são de responsabilidade do Estado.

Ou seja, os trens da Supervia, ditos os mais modernos do Brasil, não foram comprados pela empresa. Sim pelo seu imposto.

Os ônibus estão distribuídos por uma máfia maldita que não constrói a inteligência e fortalece a burrice de investir em ônibus mal conservados, que consomem muito, desconfortáveis e que desestimulam o uso do mesmo. Quem pode, vai de carro. E no Brasil o carro é muito barato, posto que com 3 mil reais você tem um carro para trafegar diariamente. Resultado: ruas lotadas, engarrafamento e tempo vital perdido.

A economia perde, o trabalhador perde, pois o chefe raramente acredita quando o indivíduo se atrasa dois dias seguidos, e a sociabilidade vai sendo perdida. Cada vez menos somos humanos, cordiais e sisudos. Entre em um ônibus lotado vindo da Barra para Madureira e ao soltar você será Lúcifer! Vá, como vou, de Marechal Hermes a Nova Iguaçu, e espere o ônibus por uma hora. Mais de 10 ônibus passando direto fazendo sinal de estarem lotados. Depois esbofeteie para entrar numa lata lotada. Discuta com uma mulher afirmando que você apalpou a bunda gorda dela, e uma hora e cinco minutos depois, solte feliz para dar aula.

Impossível! Mereço parabéns! Minha diretora disse que não mereço,pois me atrasei. Verdade, mereço um castigo, pois querer diálogo inteligente sendo servidor público estadual é acreditar que o mar vai virar sertão!
 
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