segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Os últimos 10 vencedores do Prêmio Nobel da Paz. Por que Obama venceu?

O presidente dos Estados Unidos Barack Husseim Obama foi escolhido pela Academia Real Sueca o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2009. No site Nobelprize.org , somente é dito que Obama ganhou "for his extraordinary efforts to strengthen international diplomacy and cooperation between peoples" (TRADUZINDO: por seus extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre as pessoas). Ok, o OBAMA é diferente do Tio Bush II mas, será que era para tanto?

Vejamos o que fizeram outros laureados pelo prêmio que mais chama a atenção do mundo, anualmente. Como o prêmio é divulgado desde 1901, reduzimos nossa lista pesquisada aos últimos 10 vencedores, a partir de 1999.

Em 1999, a instituição Médicos Sem Fronteiras (wikipedia) recebeu o Nobel, "in recognition of the organization's pioneering humanitarian work on several continents" (TRADUÇÃO: em reconhecimento ao pioneirismo do trabalho humanitário da instituição em vários continentes). Simplesmente, para mim, esta e a Cruz Vermelha Internacional são as duas principais organização de auxílio humanitário do mundo, atuando em todos os conflitos mundiais, dos mais conhecidos aos mais esquecidos pela mídia. Vale a pena conhecer, se engajar e contribuir.




Em 2000, Kim-Dae Jung (wikipedia), ex presidente sul-coreano, falecido em 2009, "for his work for democracy and human rights in South Korea and in East Asia in general, and for peace and reconciliation with North Korea in particular" (TRADUÇÃO: por seu trabalho a favor da democracia e direitos humanos na Coréia do Sul e Leste Asiático em geral, e seu esforço pela paz e reconciliação com a Coréia do Norte em particular). Como presidente, conduziu a Coréia do Sul durante a crise asiática do fim da década de 1990, de modo incrivelmente positivo. Seu maior legado foi ter sedimentado a democratização da Coréia do Sul, assim como ter buscado de todas formas a reaproximação com a irmã Coréia do Sul. Durante as Olimpíadas de 2000, as duas Coréias entraram sob uma mesma bandeira, dando esperanças de fim a um dos mais tristes capítulos da Guerra Fria (a separação das Coréias).

Em 2001, o prêmio Nobel da Paz foi dividido entre Kofi Annan (wikipedia), ex secretário-geral da ONU) e a ONU (Organização das Nações Unidas), "for their work for a better organized and more peaceful world" (TRADUÇÃO: por seu trabalho por um mundo mais organizado e pacífico). Não entrarei no legado de Kofi Annan, visto que é, inegavelmente, uma das figuras mais importantes da história mundial pós-Guerra Fria.


Em 2002, o vencedor foi o ex presidente americano Jimmy Carter (wikipedia), "for his decades of untiring effort to find peaceful solutions to international conflicts, to advance democracy and human rights, and to promote economic and social development" (TRADUÇÃO: por suas décadas de esforço sem descanço para encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais, por avançar a democracia e os direitos humanos, e por promover desenvolvimento econômico e social). Carter foi presidente americano, e isso por si só já é controverso. Atuou em diversas crises internacionais, e recebeu o prêmio por sua atuação diplomática. É o único presidente que recebeu o prêmio quando estava fora do cargo (foi presidente de 1977 a 1981).

Em 2003, a vencedora foi Shirin Ebadi (wikipedia), "for her efforts for democracy and human rights. She has focused especially on the struggle for the rights of women and children" (TRADUÇÃO: por seus esforços pela demcoracia e direitos humanos. Ela focou sua atuação especialmente na luta pelos direitos das mulheres e crianças). Shirin é uma grande jurista iraniana, que constituiu sua vida lutando pelos direitos civis de mulheres, crianças, homossexuais e outros grupos marginalizados no Irã. Devido a sua luta e seu reconhecimento internacional, é perseguida pelo governo iraniano, que em 2008 fechou sua ONG de direitos humanos. Sofre contínuas ameaças de morte, e muitos acreditam que seu assassinato seja apenas questão de tempo.


Em 2004, a vencedora foi Wangari Muta Maathai (wikipedia), "for her contribution to sustainable development, democracy and peace" (TRADUÇÃO: por sua contribuição ao desenvolvimento sustentável, democracia e paz). Grande ativista, militante escritora de temáticas de desenvolvimento sustentável e políticas sociais voltadas aos menos favorecidos, luta por uma África que consiga se auto-governar e gerr seus problemas, sem no futuro precisar de doações.




Em 2005, o prêmio foi dividido entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA em português e IAEA em inglês) e seu diretor, Muhamed ElBaradei (wikipedia), "for their efforts to prevent nuclear energy from being used for military purposes and to ensure that nuclear energy for peaceful purposes is used in the safest possible way"(TRADUÇÃO: por seus esforços para prevenir e impedir o uso militar da energia nuclear e assegurar que a energia nuclear seja usada da forma mais segura). ElBaradei teve enorme atuação em todo o mundo, destacadamente nas questões de Iraque, Coréia do Norte, Paquistão, Índia e Irã. Deixará o cargo em 30 de Novembro de 2009.

Em 2006 o prêmio foi dividido entre Muhammad Yunus (wikipedia) e o Grameen Bank, ambos de Bangladesh, "for their efforts to create economic and social development from below"(TRADUÇÃO: por seus esforços em criar desenvolvimento econômico e social dos mais pobres). Yunus simplesmente levou uma idéia incrível a ser efetivada como uma das maiores iniciativas pessoais de oportunidades para os mais pobres da história. O Grameen Bank, fundado por ele, é um banco de microcrédito que empresta pequenas quantias de dinheiro para pequenos produtores muito pobres de Bangladesh, com mecanismos de garantia de repagamento em caso de calote, pois os "clientes" formam grupos que buscam ajudar-se solidariamente. A idéia do banco é a de que "os pobres tem habilidades, porém estas estão subutilizadas". Seu banco deu frutos e as organizações dele nascidas emprestam dinheiro em 43 países. Empresta sem contrato escrito, somente utilizando a palavra e a confiança como segurança de pagamento do dinheiro emprestado. Recomendo o artigo Grameen Bank, na Wikipedia. Melhor o em inglês, mais completo.

Em 2007, o prêmio foi dividido entre Albert Arnold Gore Jr. (Al Gore) (wikipedia), ex vice presidente americano e ativista humanitário e ambiental, e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), "for their efforts to build up and disseminate greater knowledge about man-made climate change, and to lay the foundations for the measures that are needed to counteract such change" (TRADUÇÃO: por seus esforços para construir e disseminar maiores conhecimentos sobre mudanças climáticas causadas pela humanidade". Gore é controverso, sendo genial em suas questões ambientais, sendo um dos grandes responsáveis pela atual preocupação mundial com o derretimento das calotas polares, extinção de espécies e subida do nível dos mares, devido ao aquecimento global causado pelas atividades urbano-industriais do mundo. Seu livro e filme, Uma verdade inconventiente (An inconvenient truth) (wikipedia), ganhou o OSCAR em 2007 como melhor documentário, e em 2009 ganhou um Grammy como melhor CD falado. Porém, suas posições políticas muitas vezes o aproximaram de outros líderes americanos de biografia política controversa.

Em 2008, o prêmio foi oferecido a Martti Ahtisaari (wikipedia), ex presidente finlandês, "for his important efforts, on several continents and over more than three decades, to resolve international conflicts" (TRADUÇÃO: por seus importantes esforços, em vários continentes e por mais de três décadas, para resolver conflitos internacionais). Ahtisaari interviu como negociador enviado pela ONU e pacificador pela agência na Irlanda do Norte, Indonésia, Kosovo, Sérvia, Iraque, nas regiões do Chifre da África e Ásia Central.



Chegamos à conclusão que o Prêmio Nobel não é a descoberta da pólvora, nem sequer da dinamite, esta uma invenção de Alfred Nobel, criador do prêmio. Buscamos sempre que os outros nos digam quem serão os novos salvadores, não só da pátria, como de nossas próprias peles, e neste sentido, o Prêmio Nobel serve como um esconderijo para nossas frustrações de não-ação, ignorância e temor descriativo. Escondem-se as frustrações por trás de um nome, "Nobel da Paz", esperando que estes sejam os novos Cristos, Madres Teresas de Calcutá ou Dalais Lamas. Mas o Nobel não é uma escolha divina, supra-humanitária e aleatória. É apenas mais uma premiação que, como todas as premiações, é controversa e discutível.

Controversa como a premiação deste ano, que premiou o presidente americano Obama, que se afirmou como o salvador da humanidade contra todas as quimeras mundiais que assolam o unoverso: o aquecimento global, a falta d'água, o barbudo terrorista, um presidente anterior igualmente terrorista, aumento dos preços, desemprego e tsunamis assassinas, fundamentalismo científico e religioso, a sexualização precoce das crianças, gravidez na adolescência e na terceira, sexo frágil (homem), sexo forte (mulheres), o mistério da convulsão de Ronaldinho em 1998 e o mistério de quem matou John F. Kennedy.

Primeiro imaginei que esta seria a primeira vez na qual o Nobel premiava alguém antes de fazer algo. Porém ele já fez! Ser eleito foi um feito, um marco, e guarda uma potencialidade criativa infinita. Ele nos fez e nos faz sonhar. Querendo ou não, concordando ou não, nós escolhemos Obama para o Prêmio Nobel da Paz. Nós o construímos.; citar Obama é referendar o Nobel;Afinal, o simples fato de olharmos para a Casa Branca e não vermos Bush II já nos trás bons motivos para uma linda noite de sono.

Avalio como um prêmio pelo que ele fez à história das nações: existiu!
Algo que não se via desde John F.Kennedy. John John era o Obama de outrora, e antes de o mundo perceber isso, foi assassinado. Creio que tudo isso passou à vista de quem escolheu. Obama é a vitória do poder simbólico. O fato dele existir já me deixa bastante mais tranquilo com o futuro do mundo, por mais que ñ tenhamos por que. Ele é a pergunta, e a própria resposta. Podemos fazer um mundo diferente? Yes, we can! (Sim, nós podemos!)

NOTA DE FIM DE MATÉRIA: O Prêmio Nobel, ao ser dado ao Obama, tão jovem e sem efetivamente ter começado sequer sua história de feitos como presidente, trabalha com três possibilidades: 1- Obama faz um governo espetacular, e o Nobelé reconhecido como uma premiação ousada, que arriscou na pessoa certa, mesmo antes de seu governo ter tempo de vida; 2- Obama faz um governo terrível, frustrando as pessoas do mundo; a guerra do Afeganistão vira uma carnificina, e o Nobel se desmoraliza; 3- Obama, além de fazer um ótimo governo, conseque pacificar o Oriente Médio ou algo deste tipo. Ganharia o Nobel duas vezes? Seria inédito na história. Em tempos de guerras preventivas, como as que Bush criou, o Nobel cria o Nobel preventivo. Bem ao estilo daquela plaquinha de Maracanã que diz: EU JÁ SABIA!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

[URBE] A população se revolta contra o trem: Uh uh Nova Iguaçu!

Um dia o jovem senhor viu na televisão reportagem apresentando as condições de vida em Bangladesh. O país asiático é um dos mais pobres do mundo. As crianças deste país, quando entre 7 e 12 anos, trabalham semi-escravizadas em tecelagens artesanais do país, manuseando teares manuais. Trabalham de graça, por acreditarem que o trabalho é a coisa mais certa que podem fazer durante suas infâncias, para que suas vidas de adultos sejam ricas, e possam dar condições dignas para suas famílias. Estas crianças trabalham mais de 12 horas por dia, gratuitamente, e são analfabetas! Isso mesmo, pois nunca estiveram em uma escola. São contratadas pelo tamanho das mãos e...falando sério, são contratadas por serem baratas, eficientes e principalmente, por não reclamarem! Trabalham exploradas, escravizadas desde a menor infância, e não reclamam!

O jovem senhor se espanta com a passividade da sociedade bangladeshiana com aquilo que considera um "absurdo", "ultrajante" e algo que ameaça a "Dignidade da pessoa humana". O senhor levanta de sua poltrona, desliga a TV cedo, pois no dia seguinte vai trabalhar e acordar cedo. Vai de trem e metrô. Reside numa metrópole moderna, cosmopolita com ares provincianos que os estrangeiros acham delicioso; metrópole entre a montanha e o mar, com lindas praias e garotas de biquini. Reside no subúrbio, em bairro cortado por um muro de Berlim chamado TREM. A farmácia mais próxima fica a menos de 50m de sua casa, porém tem que andar 600m ao longo do muro de berlim-trem para subir uma passarela de concreto cujos vergalhões estão expostos por falta de conservação, descer a passarela, e fazer os mesmos 600m voltando, para encontrar a farmácia. Não há passarela perto de sua casa. Há tempos os moradores pedem por uma, sem resposta. Chegaram a fazer um buraco nos muros, para atravessarem rumo outro lado, porém...a companhia de trem o fechou.

Seu trem, pela manhã, não passa cheio. Passa entulhado. No entulho que carrega, estudantes, mulheres cheirosas e novas,mulheres cheirosas e velhas, mulheres comperfumes horríveis, senhores com bafo de cachaça da semana passada, senhores! Pessoas que vão trabalhar e estudar, na cidade entre a montanha e o mar. Pessoas que não moram perto do mar, mas muitas vezes residem em montanhas baixas, chamadas "morros". O trem não obedece lógica, não tem hora de chegar ou de partir, e nunca se sabe se opróximo será o trem mais moderno do mundo, ou um trem saído da primeira revolução industrial inglesa. O trem segue, o avião do trabalhador cria asas, e de tão cheio, se frear, milhares morrem esmagados. Deus protege. Óbvio que quem mora perto do mar na avenida Beira-mar estámais protegido. Ao menos, mais protegido de morrer esmagado no trem.

A cidade é linda, a paisagem é diversificada, e a Vista Chinesa, no alto da Floresta da Tijuca, permitindo avistar construções divinas naturais como o mar, a montanha, as matas, os barracos, a miséria e as balas traçantes durante a noite! De dentro de seu trem, o Cristo Redentor usa coletes, a prova de balas, e muitas vezes aproveita que já está de braços abertos para vender um cortador de unha no trem. É barato, é contrabando, é subemprego, é sabido, e é ignorado por todos. A maior multinacional de alimentos do mundo subcontrata os camelôs proibidos e lhes paga menos ainda. Trabalham vendendo, com sapatos furados, e sem dentes na boca. Caso não venda, pede, e pega uma criança de rua para servir de álibi, sensibilizando a todos no vagão. Tecnologia de marketing direto nascida nas ruas cariocas, aceitando moedinhas de um centavo ou um pedaço de pão. Mas preferindo uma nota de dois reais. Os seguranças da empresa de trem parecem envergonhados com a situação que passam estes camelôs, que são proibidos por lei de estarem ali, e para impedi-los é que se contratam os seguranças, mas a vergonha os força a virar de costas e fingirem que não viram. Pobres coitados dos seguranças.

O sistema de segurança do transporte do senhor é eficientíssimo. Saído diretamente dos programas do Discovery Channel, quando exibem cardumes inteiros fugindo de tubarões famintos. No trem é assim também, pois o povo se expreme, um por dentro do outro, assim nenhum larápio roupa o próximo. Caso algum delinquente resolva por opção deixar parte do corpo para fora do trem lotado por terem fechado as portas sem dar tempo de todos entrarem, os senhores da segurança (de quem) chicoteiam o senhor até que este sinta dor e se meta trem adentro. Recebe chutes, não respira, chega suado. Paga dois reais e cincoenta.

Paga mais dois reais e sessenta de metrô. Ou três e oitenta de "integração". Engraçado, mas sempre imaginou o senhor que integrar fosse tornar dois em um. Sem diferenciação. Sai do trem anárquico e entra no metrô facista. Não sabe qual é o pior. Se a anarquia do trem repleto de pedintes e vendedores, ou o facismo dos imbecis que entram e estacionam nas portas. Mas vai feliz. Caso queira urinar neste ínterim, o fará nas passarelas, pois não há banheiro. Seu sistema de trens e metrô foi privatizado em um contrato que estabelece regra peculiar e engraçada para ele, que não entende a quem a mesma beneficia. A lei diz:

O lucro será do doutor, e o din din pra comprar trem novo será de todo usuário, inclusive do senhor, pago pelo Estado.

O senhor chega ao trabalho, senta-se, cansado, após duas horas dentro de dois infernos metálicos, usurpado e mal tratado, destruído como cidadão e como carioca, e comenta com o amigo: COITADO DO POVO DE BANGLADESH! GRAÇAS A DEUS, NO BRASIL,SOMOS MUITO BEM TRATADOS!

Anos depois, se torna apresentador da Rede Record, ou secretário de transportes ou governador, e chama a quem se revolta com o trem de VAGABUNDOS.

Breno Mendes, um vagabundo

FIKA A DIKA: O choque do oportunismo e da realidade (Texto do Observatório da Imprensa sobre a reportagem de TV que explorou a miséria das crianças bengalesas por IBOPE): http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=545CID002

FIKA A DICA: A foto das "chupetas do trem", a segunda desta postagem, veio de um grande fotógrafo: http://www.flickr.com/photos/claudiolara/sets/1602444/

sábado, 3 de outubro de 2009

Semanário de um professor radical (nº2)

Segunda-feira fui trabalhar no IPEAFRO, e avancei bastante em minha tarefa no computador de Elisa. Depois, a noite, fui ao Califórnia, e dei aula de Matemática.

Terça-feira acordei com a diretora do Colégio Progressão ao telefone, me procurando, perguntando se eu não daria aula lá. Mas expliquei que fiquei toda a semana questionando se eu deveria ir ou se o professor estaria de volta ao trabalho. Ela só dizia: vou te ligar...Não ligou! Não fui! Ai ai ai ui ui! Não fui ao IPEAFRO, saí de casa direto pro Califórnia. Muito conteúdo pra dar. Plano carteziano é complicado de entender e explicar. Expliquei y=ax. Os alunos não queriam parar de falar, e eu expliquei que precisaria dar aula até mais tarde graças ao tempo que consumiram em conversas me interrompendo. Saímos as 22h da escola.

Quarta-feira não fui ao IPEAFRO. MInha diretora do Pierre Plancher me ligou...descobri que roubaram a senha de meu orkut de professor e começaram a mandar sacanagem e cantadas para alunas. Cantadas feias, ainda por cima. Denunciei ao Orkut e ppedi exclusão, e sumiu o perfil, menos mal. Ela me dispensou de trabalhhar quinta-feira, uhuuu!Fui lecionar no Califórnia. Dei y=ax ; y=ax+c e ax+by=c. Acreditem se puder, este conteúdo é apaixonante. É legal ver como que acontecem as relações no plano cartesiano. Liberei as 21:40.

Quinta-feira fui ao IPEAFRO, e consegui fazer o batch no Photoshop Cs3, redimensionando, corrigindo cores, e salvando em JPEG em outra pasta. Claro que o batch tem uns problemas, como alguns TIFF que se recusaram a serem salvos em JPEG. Mas sacaneei o Ps: abri um arquivo JPEG qquer de dimensões enormes, apaguei seu conteúdo, abria o TIFF rebelde, selecionava todo o conteúdo,copiava, via as dimensões da imagem, então redimensionava a imagem em branco, depois colava o conteúdo copiado. Enfim, salvava em JPEG com o nome que copiei do TIFF rebelde. Nada mal, computador burro a gente tem que ser mais esperto que ele. Por fim, tive uma reunião muito boa com Elisa Larkin, minha chefe e ídolo intelectual. O assunto foi idéias para o site do IPEAFRO. Ela gostou das idéias, percebo. Adoro pensar que sou útil a ela. Enfim, fui dar aula.
Cheguei no Califórnia, e estava bastante animado ensinandoMatemática, reaolução de sistemaspelo método da adição e da substituição. Eles tem dificuldades com sinais, com frações e divisões. Não entendem muito bem outros aspectos funamentais, mas quem tenta prestar a atenção consegue. Lamentável é que eles não estudam! Mesmo que libere-os mais cedo, eles não abrem o livro pra ler em casa. De que adianta eu exibir o vídeo, problematizar, lermos imagem, eu explicar os exemplos do livro, resolver coletivamente, se ninguém tenta fazer nada em casa? Estava dando aula e chega meu supervisor, que após perguntar como estava a questão do processo contra o aluno, me informou que marcará uma reunião, e que minha situação está "bastante difícil", por minha incompatibilidade com direção e alunos. Incompatibilidade? Se dou boas aulas, sou dedicado e atencioso, preocupado com eles, incompatibilidade significa dizer que o Estado não quer isso. Sexta-feira foi feriado no Rio de Janeiro, devido a escolha da cidade-sede das Olimpíadas 2016.

Mensagem da semana: "Professor Breno, o palavrão se tornou comum em todos os espaços da sociedade...se todos os professores chamassem a polícia quando seus alunos lhe xingassem, imagina a confusão que seria! Você acha que eles parariam de xingar?" (Diretora Marli - C E Califórnia)

Preciso responder? Eu me questionava quem eram os culpados pela perda dos limites dos jovens atuais, pelo desrespeito aos professores...parece que descobri! Trabalhar me causa perseguições e acusações deque agi errado. Bem vindos a uma sociedade mesquinha, e suja.

Aguardemos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

[LITERATURA] Adeus AnoVelho (Marcelo Rubens Paiva)

Imagine um rapaz de 20 anos, classe média alta, bonito, atlético, com muitas namoradas, que após saltar estilo "Tio Patinhas" no lago de uma cachoeira sem saber que somente há 50cm de profundidade de água fica tetraplégico.

Agora imagine seu livro. Rancor? Ódio? Questionamentos? Corta essa, rapaz..o livro de Marcelo Rubens Paiva, o rapaz em questão, que sofreu esta tragédia, é bom de morrer de rir, de pensar, e imaginar o mundo a partir de sua ótica, da ótica de um rapaz que brincava de viver, e vivia brincando.

Não curto ficções, e por isso que eu não gosto delivros de auto-ajuda ou de lições de moral baratas. Muitas destas compilações de conselhos não são mal feitas, mas não encaixam em minha mente. Por bem, este livro não é de auto ajuda, não é de um pobre coitado, ou rico coitado. É um livro, que prende minha atenção plenamente, só perdendo para o msn e internet, confesso.

Na próxima postagem obre este livro, coloco mais detalhes acerca da obra.Por enquanto estou na página 53

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O GLOBO, muito além do papel de um jornal: CARIOCAS, muito aquém do papel de uma sociedade: BRASIL, muito aquém do papel de um Estado: RIO 2016?

Tenho visto um comercial do jornal O GLOBO que passa na televisão, da campanha "Dois gritando". O comercial visa mostrar os benefícios que a cidade terá caso as pessoas se manifestem denunciando descasos, abusos de poder e desordem urbana no site do jornal, a partir de texto escrito, fotos, vídeos e similares. No fim, afirma: O GLOBO, muito além do papel de um jornal. Pensei, Governo Estadual: muito aquém do papel de um governo!

Inicialmente me revoltei, afirmando que o GLOBO estaria tomando o lugar do Estado, pois a correção desses problemas seria do governo e tal...mas, minutos depois, refleti: O Estado se ausentou! Os governos abriram mão de ditar as regras urbanas, a ordem pública, os projetos, os planejamentos estratégicos. Administração municipal: muito aquém do papel de gestora!





Assistindo o Globo Esporte, após passar este comercial, começei a fazer associações interessantes e radicais. Estavam entrevistando um entusiasta do projeto olimpico RIO 2016, o ex nadador brasileiro Alexandre Borges, que afirmou o seguinte: recentemente conversou com Alexander Popov, antigo carrasco russo e ás da natação mundial, atual membro do conselho que vota na escolha da cidade-sede das olimpíadas 2016, e o russo se disse "impressionado pelo papel do COB" no esforço para levar as Olimpíadas ao Rio. Pois bem, o COB está errado? Não! É uma empresa privada, que oficiosamente tem fins lucrativos e enriquece seus diretores e presidente Nuzman. Como toda empresa, visa crescimento, dinheiro e prestígio. Governo federal: muito aquém do papel de um Estado!

Errados estamos nós, enquanto cariocas, fluminenses e brasileiros que, ao invés de agirmos e buscarmos soluções não violentas porém criativas para reivindicarmos nossa postura crítica ao "canto da sereia" que vem sendo tocado. Estamos muito aquém do papel de sociedade! Cariocas, muito aquém do papel de uma sociedade! Errado está nosso Estado, destruindo o pouco de nação que temos, ao apoiar irrestritamente este devaneio. Os moradores de Chicago fazem diversas passeatas e manifestações contrárias à Olimpíada em Chicago. O lema "They play, we play" (Eles jogam, Nós pagamos!) parece perfeitamente sintético. Sintetiza tudo o que imagino desta idéia desde Rio 2004, 2008, 2012, e quantos 2000 existam. Há sites da sociedade civil de Chicago estimulando e incentivando que as Olimpíadas venham para o Rio de Janeiro. Ou seja, é o verdadeiro cavalo de Tróia, presente de grego, ou como diriam meus alunos, o "Kinder Ovo" do terceiro milênio, que vem sempre com uma surpresa dentro: ganhe a chance de sediar um evento caríssimo e dar boa vida a emrpesários gananciosos, e perca a chance de mostrar-se enquanto sociedade de opinião.

Brasileiros, muito aquém do papel de um povo! Vergonhoso é ver que, 17 anos e um dia após os caras-pintadas terem conseguido a destituição legal e institucional do então presidente basileiro Fernando Collor (impeachment), não tenhamos um protesto sequer contrário a esta falácia, esta mentira, este absurdo chamado Rio 2016.



Uma leitura desta "não contrariedade" à candidatura brasileira a 2016 é muito utilizada por COB, Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal: A população está muito feliz com a candidatura, o povo sabe que isso é necessário ao Brasil e que noscnduzirá à elite global! Eu prefiro outra leitura, mais crítica: A população pouco sabe do assunto,não sabe dos custos que sairão dos cofres públicos, não sabe que fim tiveram as obras do PAN 2007 nem quanto custou, não sabem que os tribunais de contas não aceitaram as contas do PAN 2007, e que há claros indícios de superfaturamento de obras, de negociações ilícitas, a população não sabe da CPI do PAN 2007 que rola no Rio de Janeiro, não sabem que o PAN do Rio custou quase o mesmo que Olimpíadas como a de Atlanta 1996.

Por não saber de nada disso, ficam somente com as informações da TV, que afirma ser este evento o marco de nossa conquista do topo mundial das nações; a população não protesta porque não teve oportunidade de debater o tema, não foi chamada ao debate nem sequer consultada, informada ou respeitada; esta mesma população não se lembra da quantidade de promessas feitas por políticos em campanhas eleitorais, não são levadas a recordarem das entrevistas e promessas de apresentadores de TV e governantes ou dirigentes do COB quanto ao que o PAN 2007 traria de bom ao Rio (levaria o metrô por elevação magnética à Barra da Tijuca, acabaria com os engarrafamentos, acabaria com o tráfico de drogas violento, as escolas teriam quadras esportivas e formação dos alunos, as construções seriam utilizadas pela população, o Rio se tornaria uma cidade tão bem estruturada quanto as mais estruturadas do mundo).

Esta é, pois, a explicação da não existência de manifestações contrárias à RIO 2016 e que justificará centenas de milhaes de pessoas estarem na Praia de Copacabana na sexta-feira curtindo o show do Lulu Santos, bancado pelo comitê RIO 2016. Leia-se, show bancado por você! Visto toda essa mentirosa campanha, sinto vergonha de ser brasileiro, e pior, sinto vergonha de ser eu! Para os jornais americanos, o Rio de Janeiro é chamado de cidade de gangues, com excesso de mortes de jovens, ingovernável. Falaram alguma besteira? Será? Reflita!

domingo, 27 de setembro de 2009

[HOMENAGEM POÉTICA: Fragmentos] Vanessa Vasconcellos, amizade, presença, ausência

eu perguntei o que ela queria,
e para minha surpresa nada mais do que já tinha:

simplesmente que eu a continuasse

abraçando e sentindo o coração bater.


um dia a vi com meus olhos fechados!
foi o dia em que te achei sem admitir que procurei,

lhe conhecer ou saber que me aceitaria.


amizade é isso,
não ver, mas enxergar presença,

presenciar, sem estar ao lado,

sem constante, reproduzindo-a

dentro de mim.


nada mais do que um litro de
refresco de maracujá, tylenol e

vanessa vasconcellos no msn pela manhã:

minha receita contra ressacas!


dizem que amar é difícil,
...tolos...

difícil é encontrar a quem amar,

e encontrei você, vanessa!

amor que vai, e vem...



a sósia de michael jackson mais gostosa que já conheci!

sábado, 26 de setembro de 2009

Semanário de um professor radical

Na Segunda feira tive um dia bastante cheio, pois pela manhã fui lecionar no Colégio Curso Progressão, em Marechal Hermes, substituindo um professor amigo que havia ido se apresentar a SEE RJ. Depois segui rumo ao IPEAFRO, onde trabalhei de 10 até as 17h, quando saí e parti para o Colégio Estadual Califórnia, primeiro de metrô, depois de trem. Chovia muito, e o trem parou diversas vezes, sempre esperando sinalização e transitado em baixa velocidade. Lotado e úmido. Andei por 20 minutos até a escola, na chuva, e cheguei atrasado e ensopado. Distribuí os livros do Autonomia aos alunos (2 de História, 2 de Matemática, 1 de Artes).

Na Terça feira o caos me abarcou. Dei aula no Progressão pela manhã, e parti para o IPEAFRO, onde fiquei até as 17h. Ao chegar no Colégio Estadual Califórnia, dando aula, recebi meu supervisor do projeto Autonomia, criação da Fundação Roberto Marinho. Quando este saiu, meu aluno não quis parar de conversar, e então ao ser repreendido para parar de falar, começou a ser deselegante me mandar ME FUDER, pois ele não estaria sequer SE LIXANDO pra aula. Liguei para o 190 e dennciei-o por desacato, artigo 331 do Código Penal. A polícia foi ao colégio, mas não sabia que podia prender o aluno em flagrante. Fiquei até uma da manhã na delegacia, registrando. No fim, terça acabou na quarta. Não houve aula.

Na Quarta feira, dei aula no Progresão pela manhã, e não fui ao IPEAFRO por cansaço. Dormi a tarde. Ao chegar até a escola, me deparo com uma reunião entre uma de minhas diretoras, a coordenadora de turno, o supervisor de meu projeto e o pai do aluno delinquente, ah...e eu! Reunião esdrúxula, onde fui questionado do "por quê" de chamar a polícia, e não ter procurado a direção. Aleguei omissão da direção, que em dois casos similares agiu com desdém, e pouco caso comigo, o professor. Acertei ali que o aluno pediria desculpas, perante a turma e a mim, e que eu tiraria a queixa. Mudei de idéia. Após isso, dois ladrões levaram um táxi na frente da escola, e o segurançça do mercadinho de esquina foi se meter, deu uns tiros e tomou uns bons pipocos na perna. Se meteu, tomou! Não houve aula

Na Quinta feira fui dar aula para a 805 e 703 do Colégio Estadual Pierre Plancher, em Mesquita, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao sair da escola, uma mãe neurastênica me reconheceu na rua, e começou a gritar e me acusar de não dar tempo do filho dela fazer um teste que dei em sala. Mão esquisita, gritando, que educação ela deve passar ao filho? Argumentei que dei 40minutos para o menino fazer 6 questões, ou seja, mais do que suficiente. Aleguei que estava atrasado para dar aula, mas a mulher estava descontrolada. Meti o pé! Ninguém merece! Quando cheguei em Nova Iguaçu, atrasado pela mãe esquisita, o aluno que me xingou pediu desculpas, convocado pela direção. A mesma direção discordou de mim, afirmando que a ofensa não foi direcionada a mim. Ok, "vai se fuder" não é pra quem vc está olhando...deve ser na nunca,não? Desmenti ela na frente dos alunos epronto. Se desculpou o aluno, eu não desculpei. Quando a diretora saiu, foi chamada de chata "pra caralh*" pelos mesmos alunos, que saíram pra beber cerveja e não voltaram. A aula correu bem, matemática.

Na Sexta feira, feriado em Mesquita, aproveitei para pagar o dia de trabalho que não fui ao IPEAFRO na quarta feira. Fim de tarde peguei o trem e...surpresa? Mais uma vez vagão com evangélicos.Não aguento mais. Dei aula até o intervalo, e após o intervalo, os alunos foram embora, e ficaram bebendo em frente ao colégio. Somente uma aluna ficou. O colégio pediu para liberarmos às 21h, e me dirigi para casa. Passei na Praça Seca para ver uma "amiga", beijar na boca e desestressar. Enfim, sem detalhes, tudo deu certo (hehehe), cheguei em casa 5 da manhã e agora é meio dia de sábado, oprofessor quer ficar deitado até fazer pereba na bunda, ou quem sabe passear e ir ao cinema à tarde.

Beijos, rezem por minha paz! Antes de mais nada: RONALDO!
 
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