Mostrando postagens com marcador crise educacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crise educacional. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[BLOGGEIRA CONVIDADA] Ensinar o temor, medo, raiva e violência não é o objetivo escolar (Kelly Araújo)

[ATENÇÃO! ESTE POST NÃO FOI ESCRITO PELO DONO DO BLOG, E SIM PELA MOÇA DA FOTO, KELLY!] Trabalho em Mesquita e fui almoçar em uma de nossas escolas municipais. Já é sabido que nossas crianças vem de casa extremamente desvalorizadas, muitas vezes sem amparo emocional. São filhos de pais adolescentes, filhos desviados sem extrutura emocional para educar, amar, amparar, guiar para um futuro melhor. Nossas escolas por mais que tentem humanizar o Governo e implementar projetos sociais de alto nível e financiamento Federal,não conseguem alcançar o objetivo que deveria ser: EDUCAÇÃO E RESPEITO ACIMA DE TUDO.

Nossas crianças totalmente desprovidas de valores, acabam lesando um dos bens mais preciosos que é o conhecimento. Nossos mestres já não tão engajados e revolucionários perdem também o brio, a vontade de transmitir o lúdico, o futuro a garra e a vontade de ensinar, por tamanha falta de respeito. Hoje o mestre é xingado, desrespeitado, agredido verbalmente, moralmente e fisicamente e não se pode fazer nada. Deve-se recorrer, somente após a agressão ser concluída, caso contrário o Conselho Tutelar cai de pau encima do professor, que chega em casa e mostra a sua família a marca da revolta e da agressão. Muitos destes, mesmo sendo feridos desta forma, e tabém no bolso ainda lecionam de maneira objetiva e por amor á profissão. Agora o que dizer para uma criança que, conforme eu dizia no primeiro parágrafo deste comentário, que fui almoçar em uma escola municipal e tive a triste imagem de uma inspetora gritando com uma criança de 5 anos de idade:

"Você tá maluco? Eu vou TE LEVAR PRO CONSELHO TUTELAR!. VOCÊ QUER IR PRO CONSELHO TUTELAR?"

A criança só chorava. Ora! Dizer isto para uma criança de comunidade é o mesmo que dizer para um adulto q você o levará pra delegacia. Ensinar o temor, medo, raiva e violência não é o objetivo escolar. Mas com certeza este será um futuro adolescente problemático que terá raiva da escola e de seus mestres.

(Kelly Araújo "*kellyzinha Araújo*" )

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

(IN) Feliz dia do professor - A educação está muito sem educação!


Já fiquei com professora, aluna, já fui xingado por aluno, já me senti um lixo. Sou professor! Não sou Ronaldo, e não brilho muito no Corinthians. Ganho 600 reais brutos, enquanto um juiz federal substituto inicia ganhando R$ 19.955 reais e uns centavos. Me meto a dar aula em qualquer lugar, e cito aqui: Mesquita, Edson Passos, Morro Agudo, Jacarezinho, California, Quintino, Madureira, Niterói, São Gonçalo, Marechal Hermes, Magé. Mas gosto de ser professor!

Apesar das pessoas retardadas com as quais trabalhei, e outras muito malandras em sentido de serem amigas, sobrevivi, e hoje ainda tenho forçaspara entrar em sala de aula. Mas meu tempo está acabando.

Ontem fui chamado a atenção por estar na calçada fumando um cigarro enquanto não havia um aluno sequer na escola. Segundo meu supervisor, eu deveria ficar na sauna da escola, sentado fazendo nada. Qual a diferença entre dentro do portão e fora do portão? Para eles, muita! Qual a diferença entre um profissional e um cão de guarda? O salário e o medo de perder privilégios são algumas das diferenças. Cidadania...igualdade? No Estado, não há! Escolas são o reduto do preconceito.

Nas condições atuais, com este salário, este nível de alunos que foram passando de ano desde a alfabetização, sendo semi analfabetos em grande maioria, e com esta estrutura estatal viciada que prende direção e supervisão a cargos políticos cuja liberdade se resume a zero, eu não aceito mais dois anos nisso. Vou catar latinhas, é mais light do que o que eu passo!

Ano passado a esta época eu tinha 28 turmas, mais de 700 alunos. Devo ter lecionado a cerca de 5000 pessoas, e isso é um bom número. Pra mim já deu!

O professor radical se tocou...a educação não o quer. A educação está muito sem educação!
HOJE VOU TRABALHAR DE 13 A 22H, POIS O GOVERNADOR ACHA QUE MINHA VIDA É DEVERAS FÁCIL, E NÃO POSSO TER UM FERIADO QUINTA-FEIRA. TRANSFERIU PARA AMANHÃ. QUERIA TER ESSA DISPOSIÇÃO COM DEPUTADOS E COM A COMITIVA QUE FOI TOMAR CHAMPANHE EM COMPENHAGUE, NA ESCOLA DA CIDADE-SEDE EM 2016!

sábado, 26 de setembro de 2009

Semanário de um professor radical

Na Segunda feira tive um dia bastante cheio, pois pela manhã fui lecionar no Colégio Curso Progressão, em Marechal Hermes, substituindo um professor amigo que havia ido se apresentar a SEE RJ. Depois segui rumo ao IPEAFRO, onde trabalhei de 10 até as 17h, quando saí e parti para o Colégio Estadual Califórnia, primeiro de metrô, depois de trem. Chovia muito, e o trem parou diversas vezes, sempre esperando sinalização e transitado em baixa velocidade. Lotado e úmido. Andei por 20 minutos até a escola, na chuva, e cheguei atrasado e ensopado. Distribuí os livros do Autonomia aos alunos (2 de História, 2 de Matemática, 1 de Artes).

Na Terça feira o caos me abarcou. Dei aula no Progressão pela manhã, e parti para o IPEAFRO, onde fiquei até as 17h. Ao chegar no Colégio Estadual Califórnia, dando aula, recebi meu supervisor do projeto Autonomia, criação da Fundação Roberto Marinho. Quando este saiu, meu aluno não quis parar de conversar, e então ao ser repreendido para parar de falar, começou a ser deselegante me mandar ME FUDER, pois ele não estaria sequer SE LIXANDO pra aula. Liguei para o 190 e dennciei-o por desacato, artigo 331 do Código Penal. A polícia foi ao colégio, mas não sabia que podia prender o aluno em flagrante. Fiquei até uma da manhã na delegacia, registrando. No fim, terça acabou na quarta. Não houve aula.

Na Quarta feira, dei aula no Progresão pela manhã, e não fui ao IPEAFRO por cansaço. Dormi a tarde. Ao chegar até a escola, me deparo com uma reunião entre uma de minhas diretoras, a coordenadora de turno, o supervisor de meu projeto e o pai do aluno delinquente, ah...e eu! Reunião esdrúxula, onde fui questionado do "por quê" de chamar a polícia, e não ter procurado a direção. Aleguei omissão da direção, que em dois casos similares agiu com desdém, e pouco caso comigo, o professor. Acertei ali que o aluno pediria desculpas, perante a turma e a mim, e que eu tiraria a queixa. Mudei de idéia. Após isso, dois ladrões levaram um táxi na frente da escola, e o segurançça do mercadinho de esquina foi se meter, deu uns tiros e tomou uns bons pipocos na perna. Se meteu, tomou! Não houve aula

Na Quinta feira fui dar aula para a 805 e 703 do Colégio Estadual Pierre Plancher, em Mesquita, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao sair da escola, uma mãe neurastênica me reconheceu na rua, e começou a gritar e me acusar de não dar tempo do filho dela fazer um teste que dei em sala. Mão esquisita, gritando, que educação ela deve passar ao filho? Argumentei que dei 40minutos para o menino fazer 6 questões, ou seja, mais do que suficiente. Aleguei que estava atrasado para dar aula, mas a mulher estava descontrolada. Meti o pé! Ninguém merece! Quando cheguei em Nova Iguaçu, atrasado pela mãe esquisita, o aluno que me xingou pediu desculpas, convocado pela direção. A mesma direção discordou de mim, afirmando que a ofensa não foi direcionada a mim. Ok, "vai se fuder" não é pra quem vc está olhando...deve ser na nunca,não? Desmenti ela na frente dos alunos epronto. Se desculpou o aluno, eu não desculpei. Quando a diretora saiu, foi chamada de chata "pra caralh*" pelos mesmos alunos, que saíram pra beber cerveja e não voltaram. A aula correu bem, matemática.

Na Sexta feira, feriado em Mesquita, aproveitei para pagar o dia de trabalho que não fui ao IPEAFRO na quarta feira. Fim de tarde peguei o trem e...surpresa? Mais uma vez vagão com evangélicos.Não aguento mais. Dei aula até o intervalo, e após o intervalo, os alunos foram embora, e ficaram bebendo em frente ao colégio. Somente uma aluna ficou. O colégio pediu para liberarmos às 21h, e me dirigi para casa. Passei na Praça Seca para ver uma "amiga", beijar na boca e desestressar. Enfim, sem detalhes, tudo deu certo (hehehe), cheguei em casa 5 da manhã e agora é meio dia de sábado, oprofessor quer ficar deitado até fazer pereba na bunda, ou quem sabe passear e ir ao cinema à tarde.

Beijos, rezem por minha paz! Antes de mais nada: RONALDO!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As ruínas da sociabilidade: Em São Bernardo professor chamou alunos de vagabundos. A culpa é de quem?

Ontem vendo TV me deparei com uma matéria no SBT que apresentava uma gravação feita pelo celular de uma aluna da 8ª série da EE Maria Iracema Munhoz, no Centro de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, em áudio, na qual o professor de Matemática afirmava que alunos, que discutima com ele, e se recusavam a parar de jogar baralho em sala de aula, eram vagabundos.

"Vagabundo, se você vem para cá e não quer fazer nada é vagabundo! E se seus pais não fazem nada por isso são dois vagabundos...três, você, seu pai e sua mãe!" (professor acusado)
Óhhhh! Ficou a sociedade estamental impressionada e chocada. É claro que em nosso Antigo Regime (vuulgo Feudalismo), a Nobreza sequer tomará conhecimento do ocorrido: os mandantes do Legislativo, Executivo e Judiciário estão pouco se lixando para as salas de aula, já que suas salas estão comPortinari, Di Cavalcanti e Romero Britto. O alto clero tabém não está muito aí pra hora do Brasil. Mas o Baixo Clero e a Plebe (A plebe é sempre rude, e põe rude nisso!) está em polvorosa.

O Baixo Clero de nosso Ancién Regimé se sonstitui de delegados formados na Estácio de Sá, policiais Miojo (formados em 3 meses), gerentes regionais de ensino, jornalistas de emissoras pobres, dentre outros. O delegado registrou queixa, pois teme que o Papa, representante do Alo Clero e figura de Deus na Terra, o prenda no fogo dos infernos. Os policiais investigarão, mesmo que escrevem iMvestigar! A gerente regional de ensino de São Paulo afirmou que está apurando o caso, e a jornalista fez a matéria, que não abordou a derrota da escola, a que não consegue mais gerar respeito por parte da sociedade; não se surpreendam, o Baixo Clero não pensamuitomesmo, ele executa. Gerencia crises, são os buchas do Alto Clero e Nobreza. Sempre foi assim.

A escola perdeu o tratamento respeito que recebia da sociedade...aquilo que conquistava. Ao tentarmos dar aula, somos os impositores, e situações de tensão como estas ocorrem mais do que o normal. Não defendo a ação do professor, mas observando o relato do caso, me coloco em sua posição, e o compreendo. Não é uma culpa única e exclusivamente da escola, mas de um modelo societário que foi implantado de modo trágico nas grandes cidades brasileiras.

Na mesma reportagem, os alunos da turma afirmam em tom jocoso: "E olha que a gente nem fez nada demais... (MAS COMO? JOGAR BARALHO NA SALA? ACEITAM UMA CERVEJA E UMA PORÇÃO DE CALABRESA, CRIANÇADA?:???)...na aula dos outros somos bem piores!" Assim! Na lata! Os alunos assumem fazerem de tudo para infernizar a vida de um cara que tem sua própria vida e que, ao contrário do frentista que pode um dia discutir com seu gerente e no dia seguinte voltar atrás, do advogado que discute com o cliente por estafa, do vendedor da DI SANTINNI que um dia ou outro me atende mal porque a mulher o traiu, o professor deve de novo ser o bastião da nobreza e da pureza societária de uma sociedade que não mais existe.

Isso que digo é essencial...a sociedade puritana e respeitosa não existe mais! Vivemos um Big Brother mal intencionado, onde alunos falam sacanagem com você para depois o chantagear, onde o prazer e o status e fazer com que eu bata na mesa, grita, peça pelo amor de Deus, mostre raiva. Este é o aluno que tem a chamada "moral", esse é "pedra". Ser "fechamento" é fazer vista grossa com eles e oferecer ponto em toda atividade de sala, em tempos da nota virar 20! Lamento pelo professor, mesmo. Sofrerá processo, e tomara que não perca o emprego. Na gravação, ele fala uma verdade absoluta e irrefutável: "Eu não estou aqui para perder tempo com quem não quer aprender!". Eu também não estou. Temos que tentar nos controlar nas palavras, mas espero que o Estado o proteja e o defenda, visto que as situações de trabalho são desumanas e somos expostos a estresse desnecessário, fundamentalmente graças a inoperância de encarregados em níveis superiores: Coordenadores, Diretores, Gententes, Secretários de Educação, Legisladores, Juízes e Prefeitos/Governadores/Ministros/Presidente. Que seu advogado consiga argumentar tal tese.

Veja o estresse pelo qual passo nesta semana: Estou com meu pé enfaixado, imobilizado. Sou profissional de educação, e não posso ficar mais de 3 dias em casa, pois o Estado me obriga a, após o 3º dia ausente por motivos médicos, ir à escola, pegar um papel com a diretora, e depois ir ao centro do Rio de Janeiro dar entrada no pedido de perícia, que será marcada e eu terei que ir de novo, fazer e então entrar em licença médica. Porém, meu salário é de 547 reais, e tenho outros 800 reais mensair de hora extra, para complementar a renda. Se entro de licença, não receberei mais do que 547 reais. Quando eu voltar às aulas, minhas turmas de dobra de carga horáriaterão sido dadas a outros professores, e ficarei recebendo apenas os 547. Há condições de se trabalhar dignamente em condições tais como estas?

Em tempo. No fim da reportagem, uma professora aparece dándo uma dedada para o câmera, e aqui eu também faço o mesmo! Ponto!

Tenho uma série de posts sobre as condições precárias do professor público no Rio de Janeiro, e por que não em todo o Brasil. Aqui estão os links.

Matérias no meu Blog Poética Inculta:
O caos da educação pública no Rio de Janeiro
http://poeticainculta.blogspot.com/2009/09/o-caos-da-educacao-publica-no-rio-de.html

Amizades perfeitas, cerveja e crise educacional
http://poeticainculta.blogspot.com/2009/08/amizades-perfeitas-cervejas-e-crise.html

Ser professor no Rio de Janeiro: Maldição ou passaporte pro céu?
http://poeticainculta.blogspot.com/2009/07/ser-professor-no-rio-de-janeiro.html

Matérias no meu site BrenoGraphia.com.br :
Livro didático, educação e idéias
http://www.brenographia.com.br/2009/02/livro-didatico-educacao-e-ideias/

Como tratar um profissional da educação
http://www.brenographia.com.br/2009/02/como-tratar-um-profissional-da-educacao-2/


Você pode ler a matéria deste caso aqui!


Salve estes links e depois leia, com certeza terá um quadro bastante abrangente do que é ser professor na atualidade.

domingo, 30 de agosto de 2009

Amizades perfeitas, cervejas e crise educacional. A moda é ficar estressado!

Após beber e beber e beber, a gente fica meio sem noção de tempo e espaço, e começei a escrever este texto ontem, sábado, a 15:45. A solução é twittar, blogar e atualizar fotolog. Sexta foi um dia longo. Ao menos terminou de forma ótima, como mostram as fotos deste post, de minha noite na Lapa e no Circo Voador. De cima para baixo, as seguintes fotos: Fabão, Stallone, Salgueiro e eu, no Tangará, Centro do Rio; Clarissa, Gabi e Aline, no Circo Voador; e Raquel, também no Circo Voador, show do Fino Coletivo + Eddie.

Dei aula sexta-feira a tarde, coloquei uma aluna para fora de sala, me estressei pacas. Depois, uma reunião meio...nonsense com minha diretora. Entendo ela, mas não concordo. Não concordo com a apatia educacional, com o sono negro e mórbido que reluz na escuridão das escolas.

Explico: Meus alunos tem entre 12 e 15 anos, e estão na sexta série do ensno fundamental, antigo primeiro grau. Dou minha aula sabendo que o meu conteúdo é fundamental para suas vidas. Para quem não sabe,na sexta série, ensinamos os temas de Brasil, referentes aos estudos de população, formação histórica, território, diferenças entre campo e cidade e adentramos nas especificidades de cada região (Norte, Nordeste, Sudestes, Sul e Centro-Oeste). Imagine se você não soubesse que o estado da Bahia se localiza no Nordeste, ou se não soubesse que São Paulo fica ao lado do Rio de Janeiro, e que a Floresta Amazônica não cresce perto de Santa Catarina. Inviável ser cidadão nestas condições.

Porém, sempre há um porém. Os alunos não desejam o conhecimento. E eles escolheram a vantagem, o privilégio, seguindo a Lei de Gerson, onde este queria sempre levar vantagem em tudo. Se eu pedir para um aluno fazer um trabalho, ler um texto ou parar de falar, ele não o fará. Mas se eu pedir para plantarem bananeira e prometer um ponto na média, eles o farão. Quiçá, se o Bin Laden fosse professor da rede pública do Rio de Janeiro e prometesse pontos na média caso os alunos se aventurassem em atentados terroristas contra edifícios públicos, os mesmos aceitariam na hora, sem figurar em sua mente que suicida significa que ele morrerá e não precisará de ponto nenhum. Afinal, eles não sabem interpretar textos de forma minimamente aceitável mesmo.

O porém é: Todos querem tirar o corpo fora. O aluno nem sabe o que é ECA. Talvez muitos achem que isso é apenas uma palavra de nojo para coisas como um monte de bosta fedida na calçada: Ecaaaaa! Mas ECA é a abreviação usual para Estatuto da Criança e do Adolescente. Aquele conjunto de leis que estabeleceu o famoso: "Perae, puliça! Eu sou di menor!".

O ECA estabelece que os jovens tem direitos. Mas também deveres, e disso não se lembra. Quem me defende de aluna de 12 anos e mais de 75kg que tenta me agredir e humilhar em sala de aula? Quem me defende de aluno que me mande à merda? Para a puta que o pariu. Ninguém. Vivemos um estado psicológico e policial. Ao mesmo tempo que fiscalizamo-nos uns aos outros, defendemos todas as atitudes alheias com argumentos de estar estressado, ou sob trauma.

Em 2008, um aluno que dava show em sala de aula de egoísmo ao procurar aparecer a todo o momento com bolinhas de papel ou gritando, cantando, batendo na mesa, perguntei se ele se achava uma estrela para querer aparecer deste modo. O infeliz se levantou e argumentou que se posso questionar se ele é estrela, pode me perguntar se eu quero uma banana, já que sou preto, e pareço um macaco. Diante da postura da dirreção (que não fez nada), afirmei que o processaria por racismo, mas resolvemos tudo após uma reunião com a mãe do menino que afirmou o que? Que ele está com dificuldades de se adaptar à separação dos pais. É trauma! De novo?

Pois bem, todo aluno meu que expulso de sala ou chamo o responsável está sob trauma. A mãe separou,amãe é piranha, o pai é traficante, o pai sumiu, morreu, nem a mãe sabe quem é o pai, a avó morreu, o cacchorro morreu, ou a aluna foi mãe aos 13 anos e não consegue conviver com isso. Não há reclamação que eu faça à minha coordenadora e diretora que não venha com um "mas professor, você tem que ter paciência, entender que..." . Entender o que? Que eu entendo eles e eles não me entendem? Não é argumento vazio pensar que aos 12 anos, se meu pai fosse chamado à escola, o simples medo de apanhar me fazia virar um santo por ao menos 3 meses. Detalhe, eu nunca apanhei, mas os olhares de meu pai e as palavras de minha mãe faziam um efeito danado.

As mães que chamo se dividem em categorias cristalizadas:

- A ex piranha: Mães todas tatuadas, com trajes evangélicos esaia até o calcanhar, que me encontram comBíblia na mão, a mesma mão tatuada com caneta Bic de presídio. Afirmam que tudo melhorará, pois vão enfiar a porrada em seus filhos;
- A ainda piranha: É aquela mãe que chega me dando mole, comum lindo par de seios a mostra, um belo quadril, e discurso conciliador;
- A turista: Parece que nunca viu o próprio filho, pois tudo o que falo do mesmo a mãe rechaça, a ponto de eu me perguntar: Como pode ser tão cega? Normalmente, vem com o argumento de que o professor não passa matéria e tem pinimba pessoal contra o aluno. Mas nunca sabe nem quantas matérias o filho tem;
- A que sabe: Esta é raríssima, e sabe exatamente a peça que é seu filho. Afirma que vai endurecer, cortar privilégios e lutar para não ser chamada outra vez. É respeitosa, educada, vai de roupas contidas, e fica feliz em conversar com o professor.

Mas, mesmo assim, para a direção e coordenação, eu sOu o cuLpADo. A solução? Vou casar com uma mulher que me arrume trigêmeos e um par de chifres. Assim, eu também terei muitos traumas e razões para ser um mau professor e pouco melixar com os alunos. Afinal, percebo que se preocupar com eles e sempre chamar os pais para colaborar com a educação dos filhos é visto, de maneira global, por sociedade e direção, como uma falha conceitual minha. Tenho que ser um tÓteM mágico de transformação de bárbaros em seres civilizados. Que voltem os jesuítas!

Poesia para agitar o espírito:

NÃO TOCAR NA TERRA
Não tocar na terra, não ver o sol
Nada mais a fazer a não ser fugir, fugir, fugir
Vamos fugir, vamos fugir
Casa no topo do monte, a lua jaz quieta
Sombras nas árvores testemunhando a brisa selvagens
Anda, querida, foge comigo
Vamos fugir
Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir
A mansão é amena no topo do monte
Ricos são os quartos e os confortos lá
Vermelhos são os braços de luxuosas cadeiras
E não vais saber nada até entrares lá dentro
Corpo morto do Presidente no carro do condutor
O motor funciona a cola e alcatrão
Anda connosco, não vamos muito longe
Para Este conhecer o Czar
Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir
Alguns foras-de-lei vivem junto ao lago
A filha do ministro está apaixonada pela serpente
Que vive num poço junto à estrada
Acorda, rapariga, Estamos quase em casa
Sol, sol, sol
Queima, queima, queima
Lua, lua, lua
Apanhar-te-ei em breve... em breve... em breve!
Eu sou o Rei Lagarto
Posso fazer qualquer coisa

JIM MORRISON

Dê Jim Morrison às crianças!
 
hits